Livros, Resenhas

Desventuras em Série (8 a 14), Lemony Snicket

Postado por Duds

Damocles-Dock_menor

Desventuras em Série
A Series Of Unfortunate Events (original)
Autor: Lemony Snicket
Ilustrações: Brett Helquist
Editora: Companhia das Letras
Ano: 2001 – 2005 (os sete primeiros)
Edição: 1ª
Páginas: 200, em média
cinco

Já faz MUITO TEMPO que eu tô prometendo a parte 2 da minha primeira resenha dos livros de Desventuras em Série desde que eu escrevi o primeiro post (que você pode –e é recomendável que– ler clicando aqui), e depois de muito enrolar –mentira, gente, eu tava trabalhando–, aqui está!

É importantíssimo dizer que essa resenha pode ser considerada com soft spoilers, como a outra. Ou seja, eu vou contar algumas coisas que vocês só descobririam lendo os livros, mas sem estragar a mágica.

Previously, em Desventuras em Série (o post):

Se você conhece minimamente Desventuras em Série sabe que os livros contam a história de Violet, Klaus e Sunny Baudelaire, crianças que ficaram órfãs depois de perder os pais num terrível incêncio. Essencialmente é tudo o que tem pra saber mesmo.

Agora, se você leu o meu post, sabe também que a série foi escrita por Lemony Snicket, e que Lemony não existe. Daniel Handler é a pessoa que responde legalmente todas as questões relativas a Desventuras. A partir de um ponto da história nós temos certeza de que Lemony é um personagem daquela desventura também.

Se você leu o post você sabe também que Desventuras é considerada uma série anacrônica: ou seja, ela não tem nenhum lugar no tempo e no espaço –não sabemos onde ela se passa e quando se passa. Tipo Gotham, aquela série do Batman, onde a polícia parece datar de mais ou menos 1970 mas eles têm celulares e outras coisas modernas tipo aparelho de som stereo na casa toda.

Vamos então continuar da onde paramos?

Livro Oitavo: O Hospital Hostil

Terminamos o livro sétimo sabendo que além de ser meu favorito por conta de todas as referências a Edgar Allan Poe, e tendo a certeza de que Lemony é realmente um personagem da história graças ao sobrenome interessante de um personagem que aparece na cidade.

No começo do livro, os irmãos chegam a uma cidadezinha e tentam mandar um telegrama para o Sr. Poe como último recurso –num mercadinho coincidentemente chamado Última Chance–, já que eles não podem mais ser adotados: uma grande manobra (imbecil) do Conde Olaf (imbecil) fez com que os órfãos fossem acusados de um terrível crime, e agora são ISSO MESMO, foragidos. Como se não bastasse serem órfãos.

Eles então se disfarçam de médicos em um grupo que é uma espécie de Doutores da Alegria e que trabalham alegrando os pacientes do Hospital Heimlich, mas acabam indo trabalhar na biblioteca de registros que possui registros sobre todas as coisas do mundo, INCLUSIVE SOBRE OS BAUDELAIRE. Então eles pegam esse arquivo e descobrem 1) uma foto de seus pais com uns amigos e 2) que alguém sobreviveu a uma terrível tragédia.

Toda a história do resto dos livros vai meio que girar a partir dessa folha.

Livro Nono: O Espetáculo Carnívoro

Vou confessar pra vocês que esse é o livro mais arrastado e mais chato desde A Serraria Baixo-Astral, mas consegue ser ainda pior porque é maior (desculpa, gente). Ainda assim ele é bem importante pra história (a partir do sétimo livros todos são).

Depois de serem obrigados a sair do Hospital, os Baudelaire vão parar no porta-malas do carro do Olaf sem ele saber, e usam os disfarces que estavam lá dentro para se tornarem aberrações dignas de trabalhar para Madame Lulu no Parque Caligari: Violet e Klaus como uma aberração de duas cabeças chamada Beverly-Elliot e Sunny como uma menina-lobo chamada Chabo.

Lá eles descobrem como Olaf sempre parece saber onde eles estão escondidos/morando e também descobrem onde eles podem ir para descobrirem mais sobre ~a misteriosa folha~ que eles acharam no Hospital Heimlich.

Livro Décimo: O Escorregador de Gelo

Esse é O LIVRO MAIS CLIMÃO DE TODOS. Sério. Por três motivos principais: (1) eles descobrem que uma pessoa que todos acreditavam estar morta está vivíssima, (2) é o retorno da chata Carmelita Spatz e o mais importante: (3) eles passam a maior parte do livro se-pa-ra-dos.

Quando eles vão sair do Parque (e isso eu preciso contar), Olaf convence todas as aberrações a entrarem para sua trupe, e com isso Beverly-Elliot e Chabo vão junto, mas isso era tudo um plano já que Olaf sabia da identidade verdadeira deles. Então, ao passo que Violet e Klaus estão no trailer das aberrações, Sunny fica presa com Olaf no carro durante o livro inteiro.

Violet e Klaus então se encontram com um grupo de escoteiros e um deles os ajuda a chegar até a sede de CSC, que está inutilizada devido a –adivinhem!– um grande incêndio. Enquanto isso, Sunny descobre seu talento: cozinhar extremamente bem.

Nesse livro eles descobrem que Olaf precisa muito achar um açucareiro.

Livro Undécimo: A Gruta Gorgônea

Gente eu pulei muitas partes desse livro porque o Lemony tava especialmente chato nele, isso porque ele se passa 90% dentro do submarino Queequeg do Capitão Andarré, também ligado a CSC, que está em busca do açucareiro, então todo início de capítulo ele descreve detalhadamente várias partes do ciclo da água, numa tentativa de fazer com que você durma e não continue lendo aquela história horrorosa (é esse o motivo que o Lemony dá, mesmo). Sua tripulação consiste em Fiona, sobrinha do capitão, e Phil, que eu esqueci de mencionar quando falei da Serraria Baixo-Astral lá no primeiro post. Phil era sempre muito otimista e muito legal com os Baudelaires. Ele ajuda o capitão a cozinhar.

Esse livro é extremamente importante porque começamos a ligar VÁRIAS COISAS, desde o provável motivo da cisão que dividiu CSC até coisinhas pequenas como o verdadeiro irmão de Fiona e a relação do marido de Tia Josephine com uma arma biológica letal.

Também aprendemos um pouco da história de três irmãos: Jacques, que era um grande pesquisador como Klaus; Kit, que ajudou a construir o Queequeg (uma inventora, como Violet), e um terceiro irmão…

Foi nesse livro também que eu aprendi a dar valor ao wasabi. Muito valor.

Livro Duodécimo: O Penúltimo Perigo

Após serem forçados a sair do submarino (como sempre), os Baudeleires vão parar num táxi com Kit, que possui o mesmo sobrenome interessantíssimo de Jacques (já que eles são irmãos), e vão em direção ao Hotel Desenlace, que é possivelmente o último destino e onde todas as coisas serão reveladas numa quinta-feira. Possivelmente.

Descobrimos então que TODO. MUNDO. na verdade se uniu a CSC, e vários personagens aparecem como que para dar um último adeus àquela história: a Juíza Strauss, Jerome Squalor, o diretor Nero, os professores dos irmãos, o Senhor e Charlie, da Serraria… uma grande reunião dos migos mesmo.

Não tem muito o que dizer do Hotel além de: (1) é um dos livros mais legais, (2) o Hotel é uma espécie de biblioteca, então todo mundo está hospedado num lugar que faz muito sentido e (3) tudo. dá. errado. Tudo, gente. É uma tristeza.

Deveria ter ouvido o Lemony…

Livro Tredécimo: O Fim

A edição que eu peguei emprestada da Poli tomou chuva e eu achei MUITO APROPRIADO, já que ao final do livro anterior eles estão num navio com o Olaf que é atingido por uma tempestade, e eles se vêem náufragos em uma ilha, onde eles encontram uma menina chamada Sexta-Feira (ces lembram que eles iam resolver tudo numa quinta-feira?). Olaf, por ter sido muito rude (risos), é proibido de fazer parte da população e passa boa parte do tempo vagando.

Na ilha, eles são obrigados a deixar suas vidas para trás –mas claro que eles guardam alguns de seus pertences mais preciosos: a fita de Violet, o livro de lugar-comum de Klaus e a batedeira de Sunny–, e seguem as “ordens” de Ishmael, que é meio que o cacique da ilha, chamado de Facilitador.

O livro também conta muito mais da história dos pais Baudelaire, MUITO MAIS GENTE. MUITO, e da história do Conde Olaf. E da história da Kit –eu mencionei que ela estava grávida? Isso é importante.

Não dá pra explicar muito bem esse livro por dois motivos: (1) eu nem sei se eu entendi ele direito, porque tiveram muitas horas que eu pensei “não sei se quero continuar lendo esse livro“, e (2) eu entregaria a história inteira, o que não é a ideia porque EU QUERO QUE VOCÊS LEIAM.

O que basta dizer é que: tudo na vida, gente, tudo é uma caixinha de surpresa, e nossas histórias nada mais são do que desventuras em série, mas que sempre nos levam para o lugar onde nós devemos estar. E o final da história tem justamente essa mensagem. Sabe aquela coisa de “uma história nunca tem um final de verdade enquanto tiver alguém contando ela“? Então. Mais ou menos isso.

O fim?

Então eu chego ao final da história desses 13 livros. No entanto, se você prestou bem atenção no título desse post vai ver que eu escrevi de 8 a 14, e não 13.

Livro Último: Capítulo Quatorze

Para Beatrice –
Nós somos como barcos navegando pela noite – especialmente você.

Essa dedicatória e minha admiração pela referência incrível ao final de O Grande Gatsby que ela é, serão as únicas coisas que eu vou deixar pra vocês sobre o último livro.

Uma nota sobre a série de Desventuras que será produzida pelo Netflix

“Não acredito, que depois de anos fornecendo programas e filmes de qualidade sob demanda, o Netflix arriscará sua reputação e sucesso associando-se com meus assustadores e tristes livros.” Lemony Snicket, localização desconhecida.

O responsável legal de Snicket, Daniel Handler, será o produtor executivo da série.

Conclusão Segura e Completa

Eu terminei de ler a saga no feriado da páscoa e confesso que ainda não superei. Não lembro muito bem de como reagi à primeira vez que li, quando era criança, mas agora eu acho que tenho uma cabeça muito melhor para entender tudo que o livro fala –e até para entender o final. Continuo pensando nele todas as noites e será uma série que eu com certeza vou reler muitas e muitas vezes!

Eu espero de verdade que eu tenha cumprido meu papel de contar pra vocês um pouco da minha experiência com a escrita ácida do Lemony e com essa história tão trágica, mas que ao mesmo tempo eu tenha feito vocês ficarem com um pouco mais de vontade de continuar essa saga tão maravilhosa.

Sem mais, muito obrigada por ter lido até aqui, e comenta aí na Caixa de Pandora: já leu? Tá lendo? Ficou com vontade de ler? Vamos conversar!

Um beijo e um xêro,

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3 Comments

  1. Gi Santos | GURIA CHIQUE

    13 de maio de 2015 at 14:38

    Só pelas capaz fiquei apaixonada pelos livros, agora pelas resenhas então!….

    Quero já!

  2. Juliana

    13 de maio de 2015 at 23:07

    Fiquei morrendo de vontade de ler a série!!! Vou falir, são muitos livros!!! OMG!

  3. Chell

    14 de maio de 2015 at 11:20

    Preciso muito ler esta série. Não fiquei lendo mto seus posts pq gosto de ir com a maré e ir descobrindo por mim sobre o que se trata as coisas =D

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