Livros, Resenhas

A garota que eu quero, Markus Zusak

Postado por Duds

garotapost(1)

Esse é um post de primeiras vezes: é a primeira vez que eu resenho um livro aqui no blog, é a primeira vez que eu resenho qualquer coisa desde muito tempo –desde que meu site de cultura pop fechou– e é a primeira resenha dos livros que eu comprei na Bienal do Livro de São Paulo esse ano <3

Quem me acompanha no Instagram já viu uma foto que eu postei com todos os livros aqui, e muita gente pediu resenha dos livro tudo, então eu vou fazendo conforme eu vou terminando –obviamente–, mas vocês têm que ter paciência comigo, viu? HAHA Bom, vambora fazendo então!

O primeiro que eu li foi o do Markus Zusak, mais conhecido nas rodas da malandragem como Autor Favorito da Duds, simplesmente porque os livros dele falam comigo de uma maneira quase transcendental. O primeiro livro que eu li dele foi, claro, A Menina que Roubava Livros, que eu amei –quem não?–, mas não foi até ler Eu Sou o Mensageiro que eu me apaixonei de verdade pelo jeito de escrita dele. É, até hoje, depois de tanto tempo, meu livro favorito –e também filho de uma Bienal, a de 2010.

Quando O Azarão chegou aqui, em 2012, eu achei a capa muito interessante e bem feita, mas fui logo no selo da editora, e me espantei ao ver que não tinha sido publicado pela Intrínseca, responsável pelas outras publicações do autor aqui, inclusive A garota que eu quero. O mesmo acontece com Bom de Briga, sequência de O Azarão, publicada em 2013. Os dois volumes são os dois primeiros da trilogia que conta a história de Cameron Wolfe.

Não sei o que aconteceu, mas o “importante” –ou não, já que eu queria as três capas com a mesma linguagem 🙁 (toque de designer)– é que o último volume foi lançado pela Intrínseca, e é sobre ele que vamos falar aqui.

“Acho que, quando alguém lhe conta uma coisa que costuma guardar, você se sente privilegiado, não por saber algo que ninguém mais sabe, mas por se sentir escolhido. Dá a impressão de que aquela pessoa quer que a vida dela se entrelace com a sua.”

Uma coisa que é muito importante dizer é que você não necessariamente precisa ler o primeiro livro primeiro nessa trilogia, e a maneira única com a qual Zusak escreve seus livros começa já por aí. É claro que a história tem uma linha de raciocínio, afinal é uma trilogia, mas os livros funcionam de forma independente, por exemplo: eu li O Azarão e agora o último, e não perdi nenhuma informação importante. Tudo é bem explicado, e não rola aquilo de ~continua no próximo livro~. Nós acompanhamos, nos três livros, três diferentes lados de Cameron – o azarão/outsider/underdog (como o título original), o que fica à sombra do “bom de briga”, e o terceiro, onde conhecemos ele de verdade.

O livro começa com um raciocínio que já estava engatinhado em um momento antes do livro começar, e todos os livros de Zusak são assim: suas primeiras linhas são sempre como se ele tivesse começado a transcrever ali uma conversa que já estava acontecendo entre o narrador e o leitor. No caso de AGQEQ a frase é “Foi ideia da namorada do Rube fazer os picolés de cerveja, não minha“. Em O Azarão, é “Estávamos vendo tevê quando decidimos assaltar o dentista“.

Diferente dos outros dois volumes –ok, ok, não posso falar muito sobre o segundo –, os capítulos que se seguem são de reflexões por parte de Cameron, que vive à sombra de seus irmãos Rube, o conquistador de garotas que termina com elas por nenhum motivo aparente, e Steve, que é o fechadão jogador de futebol e que tem vergonha dos outros dois irmãos. Também tem a Sarah, outra irmã, que é uma personagem que eu gosto bastante mas que aparece pouco. Quando aparece, é bem intuitiva, bem parceira. E curte umas fotografias polaroid.

Os primeiros dois volumes são muito mais sobre ação do que sobre reflexão, e é aí onde o último ganha. Zusak não sabe acertar a mão o suficiente para escrever um livro que tenha mais ação do que uma auto-análise, pois desvendar as pessoas é seu principal ponto forte. Ele parece ter aprendido isso no último livro da trilogia, e seguido com isso para os seus dois best-sellers que são diferentes em história mas não em essência, sem se fazerem repetitivos.

A história é toda a partir do momento em que Cam “explode” e resolve botar pra fora todos os medos, frustrações, e todo seu amor por uma garota, que é quem desencadeia tudo isso. Com capítulos curtos, Zusak consegue contar a evolução da “fome” de Cameron, que cresce dentro dele a ponto de fazê-lo começar a escrever, e é aí que a viagem começa. O livro é dividido em duas partes, praticamente, onde um capítulo é história do que acontece no mundo material, na realidade, e um capítulo é a história do que acontece na cabeça de Cam –seus pensamentos, suas reflexões, suas analogias com a própria realidade, sempre acompanhado por um cachorro, que pode ser um cachorro de verdade ou uma extensão da sua própria essência (afinal, o sobrenome dele é Wolfe). Enfim, suas palavras.

“Naquela noite de segunda-feira, eu ainda estava com minhas palavras no bolso, porque havia decidido carregá-las comigo para todo canto. Ainda estavam em um pedaço de papel amarrotado, e muitas vezes conferi para ver se continuavam lá. Por um instante, à mesa do do Steve, cheguei a me imaginar falando sobre aquilo com ele. Eu me vi, me ouvi e me senti explicando que aquilo me fazia sentir que eu valia a pena, que eu simplesmente estava bem. Mas não falei nada. Absolutamente nada, mesmo enquanto pensava: Acho que é isso que todos desejamos, de vez em quando. Estar bem. Estar legal. Era a imagem de olhar dentro de um espelho e não desejar nada, não precisar de nada, porque estava tudo ali…”

É um livro perfeito para você que, como eu, está passando por uma transição de valores pessoais. Aquele momento da vida onde você sabe exatamente o que você não quer, mas sempre esteve paradão demais pra fazer as coisas serem diferentes. É sobre achar a fome dentro de você, a fome de agir, de saber o que fazer, de conquistar aquela garota (ou aquele boy magia), de mudar o jeito que as pessoas te veem.

A garota que eu quero é sobre ser um perdedor na vida, e sabendo disso, lutar com ainda mais vontade já que você não tem mais nada a perder.

Mais sentimental, mais profundo porém menos engraçado que O Azarão, o livro fecha a trilogia de um jeito onde Zusak volta a ser –ou começa a ser?– Zusak, com um jeito de escrever que marcaria o resto das suas publicações e a maneira única de nos entregar uma narrativa.

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3 Comments

  1. Isabellar

    27 de setembro de 2014 at 14:09

    Gosto muito da escrita do Mark. Ele consegue falar de uma forma tão delicada e poética sobre os sentimentos e seus respectivos donos. http://aposasreticencias.blogspot.com.br/

  2. Mariana

    19 de dezembro de 2014 at 00:46

    Ai! Eu me identificando horrores contigo porque Mark tbm é meu escritor favorito. E eu tenho uma história engraçada com esse livro. Eu conheci ele há uns anos, na época do orkut ainda, porque uma amiga minha tinha uma citação dele em inglês no perfil dela e eu achei bem interessante, aí comprei o livro em inglês mesmo e comecei a ler.. e eu me apaixonei absurdamente por ele, tanto que é o meu livro favorito. Eu já amava o Mark, tinha lido A menina que roubava livros e Eu sou o mensageiro, e ESOM tbm tá na minha lista de livros favoritos. Daí depois de uns anos após ler Getting the Girl eu tava na saraiva olhando uns livros quando eu vejo um na prateleira chamado "Fighting Ruben Wolf" e minha cara foi mais ou menos assim O.o, porque eu não sabia que havia uma trilogia e muito menos que eu tinha lido o último livro haha Claro que comprei, mas nenhum dos dois primeiros me tocou tanto como Getting the Girl. Eu tava querendo reler ele e acho que vou comprar a versão brasileira pra ver como é em português hehe. Ótima resenha a sua 🙂

  3. Vitória Rios

    7 de janeiro de 2015 at 21:56

    Deus, acabei de entrar no seu blog e já estou amando com todas as minhas forças 🙂 parabéns 🙂

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