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O mundo como conhecemos: uma música de country

Postado por Duds

Estou vivendo uma das épocas mais conturbadas da vida – quando você começa a elaborar seu TCC, o tempo vai passando e você se vê mais uma vez naquela situação do “e agora?” só que dessa vez você não tem a opção de ir pro colégio direto pra faculdade. Dessa vez você é chutado da faculdade pro mundo porque você simplesmente não pode estudar e morar na casa dos seus pais pra sempre.

Sempre fui uma pessoa de procurar o que a massa chama de “texto de auto-ajuda”, mas na verdade eu gosto mais de chamar “texto de gente que já passou pelo que eu tô passando e pode me ajudar sendo mais barato e mais real que uma psicóloga”, já li todo tipo de texto sobre faculdade, sobre a vida e até um texto de compilações de frases do Schmidt (New Girl) que realmente colocaram um brilho no meu dia.

Hoje, no entanto, enquanto procurava modos de atar as linhas de raciocínio da minha vida elaborando o próximo passo, eu coloquei o meu álbum favorito da Colbie Caillat pra tocar e esbarrei nesse texto aqui, entitulado When You’re 20 and You’ve Never Been In a Relationship, ou, traduzindo, “quando você tem 20 anos e nunca esteve em um relacionamento”, e apesar do clichê todo que vocês já podem prever sobre esse texto, um trecho considerável me chamou a atenção e eu me dei ao trabalho de traduzir pra quem não souber (ou só tiver preguiça de) ler em inglês.

Enquanto o tempo passa, pareceu que horas correram como minutos e minutos viajaram como segundos e a pressão que você está sentindo já chegou no limite. Então você começa a aceitar as coisas. Você começa a dar-se satisfeito com menos e convence a si mesmo de que você está apaixonado. E você faz isso todo dia. Você se apaixona por cinco pessoas por semana e está tão influenciável nesse sentido que você se apaixonaria pela pessoa que te oferece assento no ônibus lotado de gente em pé; você se apaixonaria pelo cara que cruzou o olhar com você num show, você se apaixonaria por estranhos; você se apaixonaria por pessoas que nunca deixariam você se aprofundar em suas vidas; você se apaixonaria pelas pessoas que te oferecessem o mais ínfimo espaço na alma delas e a menor parte de seu coração de modo que eles nem ligariam se tudo terminasse. Você se apaixonaria tão rápida e temporariamente porque esse é seu remédio e solução para ser, pelo menos, familiarizada com o estrangeiro mundo de ser querido por alguém.

E isso me chamou atenção por um motivo.

Além de fazer alusão a uma das minhas citações favoritas, “We accept the love we think we deserve”, também me faz lembrar que o mundo está virando uma música de country, de modo que Tim McGraw, Blake Shelton, Martina McBride e tantos outros cantores de country não cantam mais melodias quase arcadistas e sim uma versão Alabamokhlahomezada da vida.

De um lado, temos músicas que falam sobre caminhões, pick-ups, nomes pintados nas paredes e festas em galpões que duram a noite toda. Do outro, temos corações partidos que relembram momentos ou colocam a pessoa num pedestal inalcançável como faziam os românticos de segunda geração. Se preferir, ainda temos aqueles ou aquelas que preferem dizer como estão bem sozinhos e como ainda conseguem viver sendo a pessoa decidida que é. Te lembra alguma coisa? Aposto que se você pensar por 5 minutos vai poder pegar cada situação dessa e cruzar com a sua timeline no Facebook. Olha nos meus olhos e me diz que eu tô errada. Você deve fazer uma dessas coisas – eu sei porque eu mesma faço.

Lembro de ter aberto a boca essa semana pra dizer a um amigo que nós precisamos nos amar três vezes antes de amar outra pessoa. A maioria das pessoas vai experimentar ou está experimentando aquele momento na vida onde você se olha no espelho e acha que não tá bom, que pode melhorar, que você simplesmente não faz o tipo de alguém que namoraria, e isso pode ser pelo simples motivo de que você não tem segurança consigo mesmo. Você não se ama nem uma quanto mais três vezes. E amigo: ninguém vai consertar isso por você. Não tem “peguei-10-na-balada” que preencha o vazio de não gostar de si mesmo e projetar pro mundo um holograma do que você realmente é. Ao mesmo tempo, no entanto, é imbecil colocar na cabeça que você é menor que as suas expectativas de vida.

Não digo que você não pode viver uma música de country, pelo contrário, é importante que você carpe diem, yolo, hakuna matata sua vida o máximo que você puder, e sem arrependimentos. É imprescindível que você tenha uma semana de fossa ouvindo aquele álbum da Taylor Swift ou qualquer outra banda que te ajudar a passar por um momento como esse. Vital que você procure alternativas pra preencher seu tempo depois de um término ou simplesmente preencher o seu tempo.

Claro que por mais que você diga “eu não vou cometer os mesmos erros dos meus pais”, “eu vou pensar mais em mim”, “eu vou ser bem sucedida”, “eu vou ligar menos pras pessoas ruins”, “eu vou pensar mais no lado positivo das coisas”, é mais fácil falar do que fazer. Dia-a-dia várias coisas podem te dar um soco no estômago e pode parecer que não tem uma luz no fim do túnel. Você pode querer trocar de profissão no ano do TCC e você pode olhar no espelho e se achar a criatura mais ~não-atrativa~ que já andou pela terra e que você vai ter que viver com a realidade de viver sozinho pra sempre.

Não dá pra fabricar a felicidade de um dia pro outro, e às vezes você até gosta dessa música que tá tocando agora. Talvez não seja bem seu tipo viver uma história de amor que vai deixar até Shakespeare desconcertado e talvez você só queira ser feliz mesmo, e basta. O importante é lembrar que o que tem que ser invisível são seus problemas, suas dores e medos – e não você.

E isso eu aprendi numa música de country.

1 Comment

  1. Negror

    20 de maio de 2014 at 17:37

    Eita post bão de lê. Inclusive, me identifiquei com tudo, ou quase tudo, pois ainda não estou nessa fase de TCC, (ainda bem, mas 2 anos passam correndo, né? rsrs). Eu tinha sérios problemas com essa questão de amar a mim mesma, aprendi isso esse ano e está rendendo ótimos resultados. Confesso até que tenho 21 anos, e nunca tive um relacionamento, até me incomodava com isso, às vezes eu lembro desse fato, mas logo esqueço. Acho que o importante mesmo é exatamente isso que você escreveu, você ser visível para si mesmo, e os problemas invisíveis.

    Beijos.

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